Seguindo o rastro de vapor – 3° Parte
De volta a nossa programação normal
Falando sobre variedades do fantástico (puxando assunto através da última frase de um artigo anterior, que descarado heim Karl!), outro elemento, antes uma categoria separada, mas hoje incorporada na vertente steampunk, são os chamados Gaslight Romances (literalmente traduzindo: Romances à Luz de Gás. Sim, eu sei, é estranho…), histórias que se ambientam em uma versão romantizada, enevoada (quero dizer, bem mais enevoada), da Londres do século XIX, mas com enfoque em vários nostálgicos ícones do fim desse século e do início do século XX. Uma combinação de ficção sobrenatural, romance policial, e fantasia histórica, colocando em um mesmo cenário figuras como Jack o Estripador, Sherlock Holmes, Dr. Jekyll & Sr. Hyde, Auguste Dupin, Dracula (o do livro, não o de verdade), Hercule Poirot, Erik O Fantasma da Ópera, Miss Marple, e até mesmo Tarzan.
Com exceção de alguns trabalhos franceses, essa categorização não é mais usada, mas seus elementos passaram a fazer parte do gênero steampunk sem distinções, o que convenhamos, é mais prático do que ficar sub-categorizando cada elemento, e depois sub-categorizar a sub-categoria, e assim por diante.
Ainda nesse campo de «coisas absorvidas pelo steampunk», temos também o Weird West; Weird West é o termo usado para descrever a combinação do Faroeste, ou Western, com algum outro gênero, seja horror, sobrenatural, fantasia ou ficção científica. Apesar de ter sido um termo criado para definir um cenário de RPG (mais especificamente Deadlands, lançado pela primeira vez pela Pinnacle Entertainment Group, depois para os sistemas D20 e GURPS), hoje, a denominação é usada mais amplamente, para definir o estilo de obras similares. Boa parte do material Weird West apresenta muitos elementos do horror, cidades-fantasmas, vampiros, feiticeiros, zumbís, maldições e o diabo (esse “e o diabo” que acrescentei, neste caso é literal, não eufemismo para “muito mais coisas que não lembro agora”), trabalhos como o já citado Deadlands, os quadrinhos de Jonah Hex, a série da DC Comics Weird West Tales, onde Hex apareceu pela primeira vez, High Moon, uma das fases de Doc Frankenstein, o spin-off de Preacher Santo dos Assassinos, The Wicked West, Strangeways, o manhwa (mangá coreano) Priest, o filme Tailandês Dynamite Warrior (Kon fai bin), A casa dos pássaros mortos, Purgatório, ou Gallowwalker, filme que será lançado possivelmente esse ano, e estes são só alguns; o Weird West remonta desde as antigas revistas pulp (lembra da revista Cripta do Horror?), mesmo que não sob o mesmo nome. Já exemplos da combinação Western/Steampunk é que não faltam, e talvez, um dos melhores exemplos seria a antiga série de televisão The Wild Wild West.
Lançada na década de 60, The Wild Wild West conta a história de dois agentes do Serviço Secreto: James West (Robert Conrad), o pistoleiro galã, e Artemus Gordon (Ross Martin) o inventor e mestre dos disfarces. Sua missão principal era proteger o Presidente Ulysses S. Grant e o país de qualquer ameaça, viajando a bordo de seu próprio trem, The Wanderer (O Errante), que era equipado com laboratório, armas escondias, entre outras coisinhas.
A série mesclava Western, espionagem, ciência e comédia. E assim como nos filmes de James Bond (a idéia do autor de Wild Wild West, Michael Garrison, parece que era uma espécie de “007, só que a cavalo”), sempre apresentando belas mulheres, engenhocas inesperadas, e arqui-inimigos cheios de ilusões e planos insanos para dominar o mundo. Na verdade, os roteiristas da série frequentemente começavam criando as nefastas e estilizadas (as vezes absurdas) invenções dos vilões, e depois escreviam o episódio ao redor destes aparelhos. Histórias inspiradas em trabalhos de Edgar Alan Poe, H. G. Wells e Jules Verne também era comuns.

Um dos aspectos mais interessantes da série, que durou de 65 até 69, tendo por volta de 104 episódios, eram as engenhocas usadas por West e Gordon. Inumeros aparelhos, veículos e armas, sendo que, um dos mais populares e mais usados na série, era o aparelho escondido sob a manga da camisa que fazia deslizar a pistola Derringer de West para a sua mão, ou dependendo da ocasião, um tubo de ácido, lâminas, garras de escalada.
Compartimentos secretos para armas na sola das botas, chave-mestra na lapela do terno, um gancho de alpinismo preso a uma fina, entretanto resistente, corda que podia ser disparada de sua pistola, uma bengala com um molinete motorizado, que usado junto com o gancho de alpinismo e corda, podia subir o usuário automaticamente para um lugar alto, ou desce-lo, uma faca ejetável na frente de sua bota, um fio de metal capaz de cortar barras de ferro escondido na aba do chapéu, bolha de bilhar explosiva, tacos de bilhar com uma espada escondida, ou que podem disparar projéteis, cigarros que são na verdade lança-chamas, uma bengala com um telégrafo escondido, diversos compartimentos secretos contendo armas a bordo do trem, portas escondidas, e até mesmo um coche com assento ejetável; tudo criado pelo engenhoso Artemus Gordon. Acho que se Jim West era o James Bond do velho oeste, Gordon era claramente seu Q, sempre com aparelhos bizarros novos em folha.
Mas os aparelhos são era exclusivos dos heróis da série, oh, não mesmo, os maléficos, levemente perturbados, vilões da série tinham suas próprias invenções, geradores de terremotos, aparatos de lavagem cerebral, marionetes à vapor do tamanho de pessoas, prostéticos mecânicos, fórmulas capazes de aumentar a velocidade ao ponto em que a pessoa se torna invisível, jarros que conservam
cérebros vivos e sugam seu conhecimento e força psíquica, formulas encolhedoras, portais para outras dimensões ocultados em pinturas, canhões capazes de destruir cidades inteiras em um tiro, torpedos-dragões, armaduras que agem como exoesqueletos, implantes que transformam cidadãos comuns em criminosos, tanques de guerra à vapor, campos de força que desintegram quem os toca, e tudo isso, lembre-se, no velho oeste.
Foram feitos dois filmes da série com o elenco original, um em 79 outro em 80, e em 99 a Warner produziu uma adaptação que… bem, só para manter o nível da conversa, digamos que não foi muito bem sucedida.
A série de TV também deu origem a uma série em quadrinhos de sete edições, uma em quatro, livros, e uma seqüência para a TV, em forma de míni-série, que envolve uma conspiração para assassinar o President Grant e, adivinhem só, o Presidente do Brasil, para por no poder os Cavaleiros do Círculo Dourado. (só eu que acho estranho isso? O Presidente Grant governou de 1869 até 1877, o primeiro Presidente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca, assumiu o posto em 1889, governando até 1891, as duas únicas opções que eu imagino seriam, ou os conspiradores viajavam no tempo e assassinava o presidente do Brasil mais de dez anos depois de assassinarem o Presidente Grant; ou entããão… eles assassinavam o Presidente Grant e ficavam esperando sentadinhos como conspiradores comportados até 1889).

Nos quadrinhos o gênero também tem representantes, com histórias envolvendo viagens no tempo (Billy the Kid’s Old Timey Oddities ), a adaptação de heróis contemporâneos para aquela época (League of Justice — Age of Wonder, Justice Riders) e até Transformers. Sim, você leu corretamente, Transformers!!!
Maaaas… o Tio Karl vai deixar isso para o próximo artigo…
Por Karl

Ah, antes que eu me esqueça, gostaria de agradecer pelos comentários, elogios e outros anabolizantes de ego que recebemos sobre o site (e eu sobre as matérias heheh), para não ter favoritismos, por enquanto não vou citar nomes, mas a vocês que estão apoiando, deixo um sincero agradecimento e ergo minha caneca num brinde.
E não percam, a seguir, Steampunk nas HQ’s…



Digníssimos senhores, pela ausência. Tive problemas com o HD e somente agora retorno à vida, rsrs…
Findos os processos de reabilitação e atualização necessários, volto a elogiar o desenvolvimento deste site e seus artigos.
Cada parágrafo tem sido uma aula e a cada edição mais e mais conhecimento e cultura se agregam à mente dos leitores.
Após as considerações, ainda sobra espaço para uma frase de efeito, não?
Avante, viajantes do tempo!
Hahuahuauha, tá.. dá um desconto.. eu fiquei um bom tempo de fora.. hehehe
Boa viagem, para todos nós. Vocês são nossos guias!
Correção: Faltou um ‘peço desculpas’ antes de ‘pela ausência’, mas acho que deu pra entender, rsrs.
Abs..o/
Eu queria favoritismo sobre a minha pessoa…
=(
Como sempre um excelente texto @.@
Beijos!
…. o.o …
Interesting website, i have bookmarked your site for future referrence
Adorei,parabéns!
Olá Karl!
Realmente estou adorando ler estes textos,pena te-los descoberto a tão pouco tempo.
O site está ótimo.
Abraços
Lady Jordana