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Steampunk nos Quadrinhos – Parte I

Aventuras…

Mistérios…

Papel barato… e tudo por menos de 50 centavos

Seus ancestrais foram as Dime Novels na América, com as narrativas das aventuras de Deadwood Dick, Buffalo Bill, ou Frank Reade , e os Penny Dreadfuls Britânicos, com Sexton Blake (chamado de O Sherlock Holmes dos pobres), Varney o Vampiro, ou O Colar de Pérolas, romance que introduziu a figura do barbeiro Sweeney Todd no imaginário popular. Publicações baratas e direcionadas para as massas que eram extremamente populares, embora alguns as considerassem superficiais e não muito bem escritas. No entanto, foi exatamente delas que surgiu um outro tipo de publicação… As Revistas Pulp.

As revistas pulp (Pulp magazines, pulp fictions, ou somente “pulps”) eram publicações baratas de ficção que tiveram seu auge entre 1920 e 1950. O nome “pulp” vêm do papel de polpa de madeira barata em que essas revistas eram impressas. Revistas impressas em papel de melhor qualidade normalmente ofereciam conteúdo familiar, enquanto a maioria das pulps são lembradas por suas histórias apelativas e pela arte sensacionalista da capa (bem como preço acessível), aliás, as capas eram uma parte tão importante que muitas vezes era criadas primeiro, e os autores então eram chamados a escrever histórias que combinassem. Direcionadas à leitores adultos, as pulps apresentavam histórias de gêneros variados, incluindo (mas não limitados a eles), histórias de detetives, mafiosos, aventuras fantásticas/espada e magia, , western, guerra, esportes, romance, ficção científica, noir, horror/oculto (com as chamadas “Weird Menaces”, histórias que apresentavam o herói contra um vilão maligno e sádico, e que incluíam brutais cenas de tortura ou assassinato).

Embora a maioria das revistas eram antologias, contendo diversas histórias de diversos autores, algumas revistas que apresentavam personagens contínuos foram muito bem sucedidas, tais como o cientista, físico, inventor, explorador, médico e aventureiro Doc Savage, o sinistro e impiedoso vigilante conhecido como O Sombra (que acabaria virando uma série de radio estrelada por Orson Welles), e o misterioso Detetive Fantasma.

Apesar de ser uma antecessora das histórias em quadrinhos que conhecemos, foi só mais tarde que elas começaram a apresentar ilustrações internas em preto e branco, mostrando elementos das histórias. Títulos como Adventure, Amazing Stories, Black Mask, Dime Detectives, Flying Aces, Horror Stories, Marvel Tales, Oriental Stories, Planet Stories, Spicy Detective, Startling Stories, Thrilling Wonder Stories, UnknownWeird Tales eram comprados por algo entre dez e vinte e cinco centavos, e chegavam a apresentar autores relativamente famosos, como H. Rider Haggard (Sim, o criador do Allan Quatermain, autor de Ela, e Ayesha), e a lançar outros, como Robert  E. Howard (criador de Conan o bárbaro). Embora tenha decaído e quase desaparecido pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o legado das pulps manteve-se nos quadrinhos e em arquetipos, histórias e personagens que se tornaram ícones; como Buck Rogers e Flash Gordon, com seu respectivos elementos futuristas e retro-futuristas, o insidioso Doutor Fu Manchu e suas tramas diabólicas, os exóticos e selvagens Ka-Zar ou Tarzan, A. J. Raffles o ladrão cavalheiro, o caçador de monstros Solomon Kane, os detetives Sam Spade, O Continental Op, ou Philip Marlowe.

Se você ainda não encontrou o steampunk no que falei até agora, eu creio que posso dar uma ajudazinha.

As pulps eram conhecidas por serem apelativas e exageradas, como já disse, mas o que seria isso naquela época? Não apenas as capas com damas vestidas de maneira provocante e correndo perigos inomináveis, nada disso (embora ajudasse). A chave eram os enredos. Histórias fantásticas, improváveis, absurdas, muitas delas ridículas se analisarmos pelo ponto de vista atual, mas todas instigantes de alguma forma.

Cientistas Insanos que constroem aparelhos gigantescos, sejam máquinas de guerra, robôs, naves ou submarinos de guerra, heróis que são agraciados com alguma tecnologia inovadora e a usam em prol da humanidade, exploradores encontrando civilizações perdidas convivendo com dinossauros e homens-animais, detetives desmantelando sozinhos organizações inteiras, lutando contra cultistas, autômatos, soldados com a mente controlada por alguma máquina profana, planos mirabolantes de dominação mundial, assassinos sobrenaturais, espionagem, planos secretos… agora notou onde está o steampunk nisso tudo?

E se você acha que ficou só nisso, se engana redondamente. Varias homenagens nostálgicas a essas histórias surgiram nas ultimas décadas: O Rocketeer, de Dave Stevens (falecido em março deste ano), As Aventuras de Luther Arkwright de Bryan Talbot; A Liga dos Cavalheiros Extraordinários (a graphic novel, não aquilo… digo, aquele filme) do grande Alan Moore e Kevin O’neil; Albion e Tom Strong (apesar de ser mais um pouco mais pulp e um pouco menos steampunk) também de Moore.

Mas o steampunk nos quadrinhos não termina nesse revival das ficções pulp, na próxima parte vou falar sobre a linha Elseworlds da DC comics, que transporta os heróis do universo DC para outras possíveis linha temporais, sobre os benditos Transformers que havia mencionado, e sobre The Five Fists Of Science, cujos protagonistas são Mark Twain, a Baronesa Von Suttner e… tcharãã… Nikola Tesla (isso me lembra, tenho de fazer um artigo sobre ele).

Por Karl

Continua…

Steampunk nos Quadrinhos – Parte II

O Azul, o Cinza e o Morcego

Steampunk nos Quadrinhos – The Five Fists of Science

Steampunk nos Quadrinhos – Transformers: Corações de Aço

3 Responses to “Steampunk nos Quadrinhos – Parte I”

  1. Ju Oliveira says:

    \o/ A cada parada nossa viagem fica melhor!

    Que ela não acabe!!

  2. Steampunk « says:

    [...] Quadrinhos [...]

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