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Seguindo o rastro de vapor – 2° Parte

Um pouquinho de História… não, não é isso que estão pensando

O texto anterior já deve ter preparado o caminho, agora vamos partir para as minúcias do assunto; começando pelo (dãã) início.

Vamos iniciar pelo termo. De onde veio? Quem teve a idéia de chamar assim? Bem, senta que lá vem história:

Kevin Wayne Jeter (para quem não conhece, ele é um autor, que entre outras coisas, já escreveu alguns dos romances do universo expandido de Star Wars, três seqüências para Blade Runner, volumes dos livros da série Jornada nas Estrelas, e diversos outros livros sobre futuros distópicos e sombrios), bem, Jeter havia escrito um romance chamado Morlock Night, isso em 1979, o livro era uma espécie de seqüência-não oficial de A máquina do Tempo, do H.G. Wells, no qual os morlocks (não, não os da Marvel Comics, os originais, os que parecem grandes macacos albinos) se apoderam do veículo do Viajante do Tempo e retornam através das eras até o século XIX, numa tentativa de dominar aquela época, culminando em um retorno do Rei Arthur e de Merlin para auxiliar o povo da Inglaterra contra morlocks evoluídos e tecnologicamente avançados. Esse livro está provavelmente entre os primeiros oficialmente definidos como Steampunk; o batismo veio através de um gracejo de Jeter em uma carta a revista Locus, especializada em ficção e fantasia, quando especulava um termo para definir seus trabalhos, os de Tim Powers (autor de Anubis Gates de 1983), e de James Blaylock (autor do romance Homunculus, de 1986, e da trilogia de Narbondo, do qual este livro faz parte). Publicada na edição de Abril de 1987, o trecho em questão da carta diz:

Pessoalmente, eu acho que fantasia Vitoriana será algo grande, contanto que consigamos criar um termo coletivo que se encaixe para Powers, Blaylock e para eu mesmo. Alguma coisa baseada na tecnologia apropriada da era; como “Steampunks” (punks à vapor), talvez…”

Foi aí que começou, oficialmente ao menos.

As histórias proto-steampunk, eram na essência, contos cyberpunk que se ambientavam no passado, usando a tecnologia da época ao invés de todo o avanço cibernético presente no cyberpunk, mas mantendo as atitudes em relação às figuras de autoridade e à natureza humana. Na verdade, nesse início, o steampunk continha tanta distopia e era tão caótico quando o cyberpunk, apresentando elementos de noir nas histórias, bem como temas similares aos das revistas pulp; mas conforme o gênero foi se desenvolvendo, o caos e o cinismo deram o lugar a sensibilidade utópica dos romances científicos e aventureiros da era Vitoriana.

Mas, espera aí Karl! Se o termo é tão recente, como é que existem tantos livros anteriores a essa época que são definidos como steampunk?”

Ahá, esse detalhe não me passou desapercebido, embora existissem histórias nessa linha há muito tempo, foi só em 87 que o termo foi cunhado, desde então tem sido usado para classificar as inúmeras obras que se encaixavam na definição, que era inexistente quando surgiram. Pode se dizer de tais obras, que eram steampunk… mas ainda não sabiam disso.

Desde A Casa à Vapor, Vinte Mil Léguas Submarinas, Robur o Conquistador, Da Terra à Lua, Os Quinhentos Milhões da Begun, ou A Ilha Misteriosa, de Jules Verne; A Máquina do Tempo, O Homem Invisível, A Guerra dos Mundos, O Primeiro Homem na Lua , e O Alimento dos Deuses de H. G. Wells; O Ultimo Homem, Frankenstein ou o Moderno Prometeu, de Mary Shelley, Um Yankee de Connecticut na Corte do Rei Arthurde Mark Twain, passando pelos sombrios suspenses de Edgar Alan Poe, até chegar em Os Mundos de Imperium de Leith Laumer, A Bomba da Rainha Victoria de Ronald W. Clark, e a extensa lista de obras de Michael Moorcock.

Embora algumas dessas obras não apresentem tantas anacronias tecnológicas (uia, falei bonito), podem ser consideradas como sendo do gênero por apresentarem uma linha histórica alternativa, como por exemplo do livro Warlord of the Air, do Michael Moorcock, onde o Império Britânico foi perpetuado.

Mas a ficção steampunk não é somente a base de motores à vapor, engenhocas voadoras, máquinas diferenciais, e aparelhos cheios de engrenagens na era Vitoriana, nananinanão, o gênero já passou a englobar ambientações medievais e renascentistas, a se embrenhar nos domínios do horror e da fantasia. O oculto também está presente no steampunk, assim como elementos Lovecraftianos, sociedades secretas, exploração de terras desconhecidas, faroeste, teorias conspiratórias, e muitas outras variedades do fantástico.

Por Karl

Ainda não acabou, logo tem mais.

Seguindo o rastro de vapor – 3° Parte

Seguindo o rastro de vapor

5 Responses to “Seguindo o rastro de vapor – 2° Parte”

  1. Bichinho Selvagem.com says:

    Ai que orgulho do meu irmão. Estou adorando essa aula de história, quem dera que todas fossem assim. hihihihi E você tá falando tão bonito!

    Pode continuar, que eu quero aprender mais! Hahahaha

  2. Ju Oliveira says:

    Wow, isso está ficando cada vez melhor!!

    Cavalheiros, reservem um assento a seu lado pois estou embarcando nessa viagem!

    E mais uma vez, parabéns. Esse site vai longe!^^

  3. robinho.sl says:

    Bah!! Doidimais!! Curto o jeito que você escreve: bonito e com comentários pertinentes entre parenteses. Foda que não conheço quase nada desses autores. Eu tenho (ou tinha) o 20mil léguas submarinas em ksa, eu comecei a ler e achei uma droga, mas eu tinha uns 13 anos. Então eras ler de novo. Vo cata lá em casa.
    Valeu ae!

    Ótimo trabalho!!

  4. Jesse says:

    Perfeito,adorei cada palavra escrita,já estou a espera de sua continuação…

  5. Cool site, i will come back here, regards

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