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Pequena pausa para leitura

Infernal Devices, de K.W. Jeter

Publicado pela primeira vez em 1987, pela St. Martin’s Press, Infernal Devices: A Mad Victorian Fantasy é talvez, a obra de leitura mais acessível escrita por Kevin Wayne Jeter (isso incluindo os romances de Star Wars e as seqüências de Blade Runner), há quem diga que o tom da narrativa é mais próximo das histórias do Professor Challenger de Sir Arthur Conan Doyle do que dos trabalhos de Jules Verne ou H.G. Wells (que seriam caminhos mais óbvios a se seguir, especialmente quando consideramos que um dos trabalhos de Jeter, é uma seqüência de A Maquina do tempo, o Morlock Night, qualquer dia eu falo sobre ele por aqui).

Tudo começa quando um misterioso homem com a pele de textura parecida com a do couro, um ser com um segredo mais velho que a humanidade, entra na relojoaria de George Dower com um estranho aparelho que precisa de reparo… um aparelho com as incríveis propriedades (pasmem) de um aparelho sem uso, tudo muito bem, até que tentam roubá-lo. Como George poderia saber que este era apenas um dos muitos aparelhos infernais que a genialidade de seu pai construíra, e que ele mesmo, seria logo procurado pelos antigos clientes de seu falecido pai? Pois George sempre fora a insuspeita chave para os incríveis planos de seu pai, uma chave que outros, muitos outros, almejam possuir.

O pai de George Dower era um brilhante relojoeiro, talentoso em todas as formas de mecanismos existentes. George, que havia herdado a loja de seu pai, mas não o talento do mesmo, vivia de pequenos consertos em relógios e outros mecanismos da autoria de seu pai; ainda sim concorda em analisar o aparelho, mesmo sabendo que suas chances de consertá-lo são microscópicas na melhor das hipóteses. Antes que se dê conta, George é puxado para dentro dos conflitos e intrigas envolvendo os livres-pensadores da Anti-Sociedade Real, os repressivos zelotes do Exército Divino, é perseguido pela União das Damas pela Supressão do Vício Carnal e importunado pessoalmente por valentões de bordel, e sempre vai se aprofundando em enigmas que põem sua pobre cabeça nem um pouco imaginativa em parafuso, e que levam apenas a outros quebra-cabeças. Suas investigações o levam até Wetwick, uma estranha vizinhança de Londres onde todos parecem ter alguma ligação com um certo Saint Monkfish (ficaria algo como Santo Mongepeixe em português, só pra manter o jogo de palavras); e que na qual também, os habitantes apresentam uma perturbadora semelhança com que seriam híbridos de humano e peixe (Referência ao conto A Sombra em Innsmouth do H.P. Lovecratf talvez? Hehe).

Outro dos novos clientes de George é um impaciente homem de óculos de lentes azuis, que fala de uma maneira muito peculiar, ao menos para George, como um Inglês Vitoriano, mas o leitor pode reconhecer como sendo o modo contemporâneo de falar. Ao contrário do que possa parecer, o estranho não é um viajante do tempo, mas um Inglês Vitoriano que possui um aparelho específico, uma espécie de aparelho de televisão, que o permite visualizar o que é, para ele, o futuro (ele aprendeu as gírias do século vinte através de leitura labial).

Conforme a história avança, George descobre eventualmente que seu pai foi mais habilidoso e genial do que ele jamais soubera; tendo dado início a experimentos envolvendo a construção de humanos mecânicos, chegando até a produzir um automato, o Paganinicon, que é nada menos, do que uma cópia exata do próprio George (mas que possui uma destreza ao violino comparável com o próprio Paganini, e também ainda mais superiores habilidades sexuais). Inevitavelmente, uma mulher rapta George por engano, pensando ter capturado seu gêmeo automático. A natureza do trabalho de seu pai começa a ficar clara para o respeitável relojoeiro (respeitável, ainda que, não muito proficiente em seu trabalho), principalmente porque nenhum dos velhos clientes de seu pai acreditam nos protestos de inocência e inabilidade dele.

Entre coincidências bem construídas, aparelhos capazes de partir a Terra no meio, e flertes com a mitologia de Lovecraft, Infernal Devices: A Mad Victorian Fantasy, é um livro excepcional para quem aprecia o gênero. E quem tiver a oportunidade de lê-lo, leia assim que ela surgir. Digo isso não apenas pelos motivos óbvios, mas por que este é um livro extremamente difícil de se encontrar, e não tenho nem certeza que existe uma versão em português (eu acho muito provável que não exista, mas coisas mais estranhas já aconteceram, então…), ainda assim, mesmo que tenha de importá-lo, será uma ótima aquisição, pois não é sempre que colocamos as mãos em um livro do sujeito que inventou o termo steampunk. Além de proporcionar uma boa leitura e divertimento, é claro.

Por Karl

(desesperadamente procurando um E-book de Infernal Devices)

3 Responses to “Pequena pausa para leitura”

  1. Olá, Karl. Muito interessante o site. Sou do Recife, mas conheço muita gente de SP que teria interesse em conhecer vocês. Mantenhamos contato. Abraços!

  2. Ivo Heinz says:

    Oi Karl.
    Sou um dos “paulistas” que o Jacques falou, muito interessante este trabalho, sou fã e colecionador de FC em geral, gosto de História Alternativa e Steampunk.
    Mantenha contato.
    Abraços

  3. Shaun Davis says:

    Hey just a heads up, I wanted to let everyone know that Xio Dibin speaks English. I hope I posted in the right location?

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