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Entrevista com Jake Von Slatt

 

Sim! Aquele Jake Von Slatt

 

A Era Vitoriana, foi a ultima era em que um formando do colégio recebia um jogo completo de conceitos para realmente entender a tecnologia da época. Por causa disso, parte do que eu queria fazer, era pegar o termo ‘steampunk’ e unir com esse componente FVM (Faça-Você-Mesmo, DIY, Do It Yourself no original). FVM não fazia parte da definição do Steampunk… mas eu queria que fizesse.”

Para Jake Von Slatt, seu trabalho steampunk é como um processo de Auto-atualização Vitoriana, pois essa foi uma grande época para os amadores, onde não-especialistas podiam contribuir para o avanço da ciência, e pelo fato de a maioria desses amadores serem cavalheiros conceituados, havia uma grande enfase na beleza ornamental dos equipamentos.

 

E beleza é algo que há de sobra nas customizações de Von Slatt; mas para os que se coçam para comprar alguma criação dele, podem tirar o cavalo-de-ferro da chuva, ele declara que não vende nada, e que considera seus produtos o entretenimento que seu site fornece aos visitantes. Apesar disso, ele adiciona que sendo seus designs licenciados sob Creative Commons, Non-Commercial Attribution, e licensas de compartilhamento com exceção comercial para artesãos individuais, isso deixa as pessoas livres para manufaturarem copias, ou versões do trabalho dele contanto que creditem-no e que os lucros sejam para suporte do individuo ou familiar, pois ele acredita que todo artista deveria poder se sustentar através do que faz.

 

Proprietário do Steampunk Workshop, a persona de Hieronymus Isambard “Jake” von Slatt, já se tornou um dos ícones que todos que os procuram conhecer algo sobre o 

Steampunk acabam se deparando cedo ou tarde, assim como os seus trabalhos. Portanto, para aqueles que ainda não o conhecem, para os que sabem quem é, e querem saber mais, para aqueles que só viram suas “crias” e querem conhecer o criador; ou modificador, costumizador, 

engenhoqueiro ou outro termo mais que possa pensar para defini-lo; vosso humilde (mas nem tanto) escriba, entrou em contato com o nobre artesão de Massachusetts, e após a troca de um email ou dois (ou três, ou quatro…), trás a vocês uma entrevista em primeira mão com Jake Von Slatt. (a tradução e a original)


Como (e quando) foi o seu primeiro contato com Steampunk?

Eu não estou certo, mas foi provavelmente no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, lendo os trabalhos de Michael Moorcock, Bruce Sterling, etc. Mas eu sempre tive uma fascinação pela Revolução Industrial, então meu interesse na tecnologia do Século XIX remonta a muito mais tempo atrás.


Qual foi o fator principal que o atraiu ao Steampunk?


Creio que foi o elemento humano. Decorações em aparelhos á vapor da era Vitoriana não melhoravam sua eficiência de maneira alguma, mas mostrava muito sobre o orgulho do engenheiro que o construiu e reuniu idéias de elegância e graça para as pessoas que o vissem. Steampunk é a tecnologia onde elementos que que somente significam algo no contexto humano, foram acrescentados.

Uma pergunta que as pessoas provavelmente sempre lhe fazem… De onde vem a idéia (a primeira delas) das modificações? E qual foi?

 

Eu trabalho com objetos encontrados, sucata na verdade, então a idéia inicial vem de algum pedaço de sucata que eu tenho. Quando eu encontro algum elemento de que goste eu só deixo que minha mente vagueie e pense sobre de que a coisa que estou segurando pode ser parte de. Uma vez sabendo isso, é fácil preencher o resto do quadro.

 

Onde você busca inspiração para as modificações que faz?

 

Ficção, a internet, amigos – mas a maioria vem da minha pilha de sucata.


Existe
algum grande projeto em que você gostaria (ou pretende) trabalhar? Há algum tipo de… O grande desafio?

Meu é provavelmente o maior projeto em que estou trabalhando. É um VW de 1971 com

uma carcaça de fibra de vidro conversível que eu comprei dezembro passado. Ficou atrás de um celeiro por uma década aproximadamente, então estava em considerável mal estado. Eu o consertei e o fiz “rodavel” novamente, e agora é hora de dar o tratamento Steampunk! Estou planejando pintá-lo de preto e adicionar muitas filigranas douradas e faróis trabalhados em latão (a gás e querosene) e gostaria de construir uma capota rígida para substituir o velho teto conversível.


Uma vez que a parte cosmética estiver completa eu gostaria de convertê-lo em um carro a vapor real. Terá a partida a óleo, mas o combustível irá aquecer um tipo de mono tubo gerador de vapor que alimentará um motor de dois cilindros de um Stanley Steamer (carro a vapor de 1906) conectado diretamente ao diferencial. É um projeto intimidante! Entretanto eu sou membro do The Steam Automobile Club of America (http://www.steamautomobile.com/ ) e estou confiante de que se eu achar me conhecimento escasso em algum ponto, haverão vários amigos da SACA que responderão minhas dúvidas.


Na sua opinião,o Steampunk, hoje, tem crescido além do gênero literário e cinematográfico e se tornou uma outra coisa, algo mais?
Eu espero que sim. Eu vejo o Steampunk como um parente próximo do Maker movement. É uma maneira de ver a tecnologia como algo que o indivíduo tem controle sobre e pode entender. Uma vez que você conhece as origens da tecnologia, você pode entender melhor sua aplicação hoje em dia. Isso dá poder e significa que você pode fazer melhores decisões sobre comprar e usar tecnologia, bem como escolher o quadro de pessoas que policia essa tecnologia. Steampunk é meio como a “musica” que atrai as pessoas a uma cultura que está tomando o controle tecnológico das corporações, e pondo de volta nas mãos do indivíduo.

* o Maker Movement trata-se de um movimento que sugere que se re-imagine os objetos ao invés de descartá-los. Em um nível básico, o movimento é sobre reutilizar e reparar objetos, e não jogá-los fora para comprar novos. Em un nível mais profundo, é uma idéia filosófica sobre o que realmente é possuir alguma coisa. “Se você não consegue abrir e substituir as baterias do seu iPod, ou repor o fluido do seu carro, você não é realmente dono de nenhum deles”

Para saber mais: http://p2pfoundation.net/Maker_Movement


Você vai a eventos, reuniões, encontros de entusiastas de Steampunk, esse tipo de coisa? (se possível mencione os nomes dos eventos)


Eu vou. A MakerFaire (um evento criado pela Make Magazine para “celebrar artes, produção, engenharia, projetos de ciência e a filosofia do Faça-Você-Mesmo – FVM) viu um grande aumento em exibições relacionadas a Steampunk ultimamente, e eu palestrei na Convenção Steampunk da California, no mês passado
http://steampunkworkshop.com/california-steampunk-convention-keynote . Eu espero que mais e mais eventos de temática Steampunk ocorram. Eu teria gostado muito de poder ter comparecido a GOGBOT setembro passado http://gogbot.nl.vedor.com/nl/ .

* a GOGBOT que teve Steampunk como tema principal em 2007, é parecida com o FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletronica- aqui do Brasil (http://www.file.org.br/)


 

Fale um pouco de você mesmo, nos fale do homem “por trás dos goggles”

Bem, eu sou atualmente o técnico em informação de uma pequena firma de Pesquisa & Desenvolvimento na área de Boston, Massachusetts. Eu gerencio um centro de computação em Linux, e estou certo que minha exposição ao Linux e ao movimento Open Source, afetou minha visão da cultura Steampunk. Sou meio como uma peça quadrada em um encaixe redondo, mas eu sempre construí coisas, até mesmo quando bem jovem. Quanto tinha 14 anos e o quadro da minha bicicleta quebrou, eu não pedi aos meus pais por uma bicicleta nova, eu pedi a eles um ferro de solda. Sou casado e tenho duas filhas que tem mostrado tantos talentos artísticos particulares, que eu acho que já é hora de ensiná-las a soldar!

 

Como se sente sabendo que tem pessoas admirando seus trabalhos aqui nas distantes terras do Brasil?

É realmente maravilhoso! Mais do que tudo eu espero começar a ver trabalhos Steampunk feitos por Brasileiros e que mostrem aspectos de sua cultura. Acho que existe muita enfase na Inglaterra Vitoriana. O século XIX aconteceu para todos! Aqui estão alguns exemplos do Steampunk ao redor do mundo que mostram uma forte influencia visual de suas culturas locais.
Rússia:
http://i133.photobucket.com/albums/q75/Filimon_photo/DSC01240-27.jpg
Espanha:
http://todotorcido.blogspot.com/2008/07/dos-muebles-raros-ms.html
Japão:
http://shanbara.jp/hobby/data/fml-2.jpg

 


O que você acha da organização que os admiradores do gênero em várias partes do mundo estão alcançando? (como a Toronto Steampunk Society, em Chicago, Austrália, e o Conselho Steampunk aqui no Brasil)


Elas são incríveis!Eu particularmente admiro aqueles que se reunem para fazer coisas – isso é uma tradição antiga entre artesãos, e eu adoraria ver pessoas se reunindo para construir trabalhos maiores – talvez algumas coisas na mesma escala da Casa Móvel (Neverwas Haul) ou a Casa-na-árvore Steampunk (Steampunk Treehouse).

 

*Casa Móvel (Neverwas Haul)

http://etheremporium.pbwiki.com/Neverwas%20Haul

*Casa-na-árvore Steampunk (Steampunk Treehouse)

http://tv.boingboing.net/2008/01/24/steampunk-tree-house.html

 

 


Qual são suas obras favoritas dentro da linha Steampunk (ou fora dela, você sabe… livros, filmes, quadrinhos…) ?

 

OH, nossa! Por favor não me faça escolher! No momento eu estou realmente apreciando a musica do Abney Park http://abneypark.com , e a antologia Steampunk de Ann and Jeff VanderMeer’s é realmente uma representante de primeira da ficção Steampunk. Diferente de muitos – eu realmente gostei da versão de Wild, Wild, West com o Will Smith. E tinha grandes esperanças para A Bussola de Ouro também, mas temo que tenham arruinado essa.

Girl Genius do Estudio Foglio, e Freakangels de Warren Ellis são quadrinhos que leio regularmente

Defina Steampunk em suas próprias palavras…

Steampunk reside na encruzilhada entre a ciência e o romance, acolhe a tecnologia mas exige que a tecnologia faça o mesmo.

 

Até logo! 

 

(o “Até logo!” foi dele, em português mesmo)


 

[entrevista – Ing.]

How (and when) was your first contact with Steampunk?


I’m not sure, but it was very likely in the late 1980s and early 90s, reading the works of Michael Moorcock, Bruce Sterling, etc.  But I’ve always had a fascination for the Industrial Revolution so my interest in 19th century technology goes much further back


 

What was the major factor that drawn you to steampunk?

I think its the human element.  Decorations on Victorian era steam engine did not increase their efficiency in any way but spoke volumes about the pride of the engineer that built them and conveyed ideas of elegance and grace to the people that viewed them. Steampunk is technology into which elements have been injected that mean somthing only in a human context. 

 

The question that people probably always make to you…  From where come from the idea (the very first) of the case modifications? 

And what was?


I work with found objects, junk really, so the initial idea usually come form some piece of junk I have.  When I find some element I like I just sort of let my mind wander and think about what the thing I am holding in my hand might be a part of.  Once I know that, it’s easy to fill in the rest of the picture.

 

 

Where do you seek inspiration for the modifications you make?

Fiction, the internet, friends – but most from my junk pile.

There’s some big project that you like (or want) to work on? there is some sort of …The big challenge?


My car is probably the biggest project I’m working on.  It’s a 1971 VW Bug with a fiberglass roadster body that I bought last December.  It had sat out behind a barn for a decade or so, so it was in pretty rough shape.  I’ve repaired it and made it road-worthy again so now it’s time to give it the Steampunk treatment!  I’m planning on painting it black and adding a lot of gold filigree and brass lighting fixtures (gas and kerosene powered!) and I’d like to build a hard-top for it to replace the tattered convertible roof.

 

Once the cosmetics are complete I would like to convert it to be an actual steam car.  It will still be fired with petrol but the fuel will heat a mono-tube style steam-generator that will power a Stanley Steamer style dual-acting twin cylinder engine attached directly to the rear axle.  It’s a daunting project!  However, I am a member of The Steam Automobile Club of America ( http://www.steamautomobile.com/ ) and I’m confident that if I find my knowledge lacking at any point there will be many folks at SACA with the answers to my questions!
 

 


In your opinion, steampunk, today, have grown beyond the literary and cinematographic genre and became something else, something more?



I hope so.  I see Steampunk as closely related to the Maker movement.  Its a way to view technology as something the individual has control over and can understand.  Once you know the origins of technology you can better understand it’s application today.  That’s empowering and it means you can make better decisions about buying and using tech as well as choosing the people that set technology policy.  Steampunk is sort of the “music” that attracts people to a culture of taking control of technology from corporations and putting it back into the hands of the individual.

 

Do you go to events, reunions, gatherings of steampunk entusiastics, that sort of thing? (if possible, mention the names of the events)

 


I do.  MakerFaire has seen a vast increase in Steampunk related exhibits lately and I gave the keynote address at the California Steampunk Convention just last month
http://steampunkworkshop.com/california-steampunk-convention-keynote I expect that there will be more and more Steampunk themed events.  I would have dearly loved to have attended GOGBOT  http://gogbot.nl.vedor.com/nl/ this past September.


Talk a little about yourself, tell us of the man “behind the goggles”


Well, I’m currently an IT guy for a small R&D firm in the Boston, Massachusetts are.  I manage a Linux computing center and I’m sure my exposure to Linux and the Open Source movement have effected they way I view  Steampunk culture.  I’m a bit of a ‘square peg in a round hole’ but I’ve always made things, even from a very young age.  When I was fourteen and my bicycle frame broke I didn’t ask my parents for a new bicycle, I asked them for a welding torch.  I’m married with two daughters who have shown such artistic talent of their own that I think it is time to teach them how to weld!



How do you feel knowing that you have people admiring your works here in the far lands of Brazil?


It’s really wonderful!  More then anything else I hope I begin to see Steampunk works by Brazilians that reflect aspects of your culture.  Too much emphasis is placed on Victorian England I think.  The 19th century happened to everyone!  Here are some examples of Steampunk from around the world that show the strong visual influence of the local cultures:

Russia: http://i133.photobucket.com/albums/q75/Filimon_photo/DSC01240-27.jpg
Spain:
http://todotorcido.blogspot.com/2008/07/dos-muebles-raros-ms.html
Japan:
http://shanbara.jp/hobby/data/fml-2.jpg 

 

What do you think of the organization that the admirers of the genre in many places of the world are accomplishing? (like the Toronto Steampunk Society, in Chicago, Australia, and the Steampunk Council here in Brazil)



These are great!  I particularly admire the ones that gather to make things – this is a long tradition among crafters and I’d love to see people getting together to build larger works – maybe even some things on the same scale as the Neverwas Haul or the Steampunk Treehouse.

 

What are your favorite works in the steampunk line (or out of it, you know… books, movies, comics…)?

 

OH my! Please don’t make me choose!  Right now I really enjoy the music of Abney Park http://abneypark.com and Ann and Jeff VanderMeer’s ‘Steampunk’ anthology is a really good primer for Steampunk fiction.  Unlike a lot of folk – I really liked Will Smith’s version of ‘Wild, Wild, West!’  I had great hopes for The Golden Compass too, but I fear they rather ruined that one. 


The Foglio’s ‘Girl Genius’ and Warren Ellis’ ‘Freakangels’ are both comics I read regularly.

 

Define Steampunk in your own words.


Steampunk lies at the intersection of science and romance, it embraced technology but demands that technology return the favor.

Até logo!


 

Por Karl

E para quem quiser ver mais – Steampunk Workshop

5 Responses to “Entrevista com Jake Von Slatt”

  1. Soberba entrevista!

    O nome de Jake Von Slatt é quase que um sinônimo de SteamPunk e é maravilhoso ver a Loja São Paulo indo direto na fonte d’água pra fazer vapor =)

    Grande abraço.

  2. […] Leia a entrevista com Jake Von Slatt [Exibir como SlideShow] Você quer saber mais? […]

  3. […] da obra de Jake Von Slatt e de sua forma de encarar o artista e sua obra, Naná Hayne começa a despontar como uma das mais […]

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