12
Jun

Conselho Steampunk no RPGCON

   Publicado por: rcandido    em Literatura, O Movimento

Conselho Steampunk no RPGCON

O Encontro Internacional de RPG desse ano foi cancelado para sofrer uma reformulação, mas diversos grupos e pessoas começaram a se mobilizar para realizar um evento menor e não deixar a data passar em branco.

O que inicialmente seria um encontro pequeno, com a intenção de abrigar e incentivar o Encontro Nacional de Blogs de RPG idealizado pelo Phill Souza e pelo Romulo Marques, acabou se tornando algo bem maior quando a Caravana Surreal e o Grupo Céos se uniram a equação, sem falar na OPELF.

E este ano o Conselho Steampunk é convidado oficial! Vamos ter uma Mesa Redonda, um debate aberto sobre Steampunk:

O que é Steampunk?

  • Origens e Influencias
  • Literatura
  • Cinema
  • Como Sub-Cultura
  • Vestuario - Influencias e Tendencias
  • O Principio do “Faça você mesmo”
  • RPG a interpretação dentro e fora do Steampunk

O Conselho

Vamos falar sobre o Conselho SteamPunk, as Lojas, SteamProcess, SteamCamp, SteamPass, SteamParty, SteamPedia

Mesas de RPG com Castelo Falkenstein.

Oficina de customização de Goggles - Passo-a-Passo

Data e Local

Ingressos

Áreas de Jogo e Inscrições

O pavilhão de jogos (Amarelo) será dividido em quatro setores para facilitar o acesso dos jogadores e mestres.

Cada setor (Fantasia, Horror, Moderno/Sci-Fi e Outros) terá uma coordenação separada. Dessa forma, os jogadores poderão escolher com mais facilidade entre as aventuras disponíveis e evitaremos as antigas (e odiadas) filas.

Para os mestres que precisam de um espaço diferenciado, o evento oferece o Hangar 18 (uma corruptela da Área 51) no pavilhão Cinza, onde serão realizadas mesas especiais como o Torneio Tentacular, as baterias do Desafio D&D 4ª Edição, entre outros.

Para essas duas áreas, as inscrições devem ser realizadas antecipadamente no site. Uma das novidades é que somente OS MESTRES precisam realizar esse processo. Os jogadores não precisam da pré-inscrição — basta se apresentar ao coordenador do setor, escolher sua aventura, sentar e jogar.

Outras Atrações Confirmadas

  • Feira de RPG Independente – Um espaço reservado para os criadores de RPG e jogos trocarem idéias, expor seus sistemas e cenários, firmar parcerias e divulgar suas criações. Corrdenação da Surreal.

  • OPELF – Um ciclo de palestras, oficinas e workshops sobre literatura fantástica, contos e ficção. Coordenação da Céos.

  • Salas das Associações - Um setor inteiro de salas para as associações mostrarem seus trabalhos, oferecer atividades, criar laços com grupos similares e angariar novos membros.

  • Feira de JogosDuas salas de 40 m2 para abrigar uma das atrações mais visitadas de qualquer evento. Coordenação d3system.

  • Tormenta 10 Anos - Uma palestra do Trio (Cassaro, Saladino e Trevisan) para comemorar os 10 anos do cenário nacional mais amado e polêmico de todos os tempos.

  • Mesa de Vidro - Um bate papo sobre o evento e o mercado com a Equipe d3system e editores convidados.

  • Stands: Editoras, expositores e associações terão seu espaço no pavilhão vermelho.

  • Encontro Nacional de Blogs: Uma sala de ponto de encontro fixa, um espaço com rede wireless no pavilhão cinza e a presença dos autores e escritores dos principais blogs de RPG do Brasil. A RPGCON inteira nasceu para abrigar essa festa – e o d3system também estará lá.

Esse é um resumo das atrações que estamos organizando para o evento. Mais informações a partir de amanhã, no site oficial do evento.


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10
Jun

O grande Alan Moore fala sobre Steampunk

   Publicado por: Karl    em Artigos, Romances Gráficos

O grande Alan Moore fala sobre Steampunk

Sobre a obra “A Liga dos Cavalheiros Extraordinários”, que ajudou a popularizar a estética steampunk talvez mais do que qualquer outro livro, e como o livro surgiu.

Por incrível que pareça, ele não cresceu de uma estética steampunk – ele talvez cresceu até se tornar uma. Eu li alguns interessantes exponentes do gênero steampunk, pessoas como Tim Powers, K.W. Jetter, e alguns dos mais novos – Eu não sei se The Diamond Age de Neil Stephenson se qualificaria, ou se é um nanopunk -,

Eu sempre estive interessado e aprecio várias destas histórias. Mas quanto a Liga dos Cavalheiros Extraordinários e de onde veio, ela saiu de Garotas Perdidas.

Estavamos nos divertindo tanto, eu e Melinda Gebbie, fazendo pornografia com três personagens literários clássicos, que subitamente veio a mim “hey, você poderia fazer isso com um livro de aventuras” Você tem o homem invisível, e você tem o Sr. Hyde, e você tem o Capitão Nemo, e eventualmente, após muita escolha, chegando a Mina Murray [de Dracula] como personagem feminina principal. Então nos sentamos para fazer o livro, e começamos com essa simples, até simplista, idéia de um tipo de Liga da Justiça da Inglaterra Vitoriana. Mas quando Kevin [O'Neill] começou a se aproximar com a arte – e começou a fazer coisas como projetar uma versão mais fiel e exótica do nautilus – ele começou a sentir como se essa história fosse apresentada em um mundo onde várias fantasias e ficções vitorianas realmente aconteceram. Isso levou a colorir o tipo de arquitetura que Kevin mostrou, o tipo de tecnologia, em termos de automóveis e outros veículos do período.
Eu acho que foi provavelmente na metade da primeira edição quando eu me toquei que havia feito o Sr. Hyde de Stevenson assassinar Nana de Emile Zola na Rua Morgue de Edgar Alan Poe, que eu percebi que havia uma possibilidade fantástica para fazer deste livro algo sem precedentes; se fizéssemos cada personagem do livro um personagem tomado de uma ficção pré-existente, então o livro se tornaria esse amalgama insano de quase todo mundo ficcional que existiu.

Com o segundo volume nos ocorreu que poderíamos expandir isso apresentando esse almanaque de lugares fictícios, no que tentamos unir e amarrar todos os lugares nesse mundo imaginário. No volume seguinte de A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários (o ultimo do odiado eixo DC/Wildstorm), O Dossiê Negro, nos fornecemos uma linha do tempo, vindo de antes da origem na humanidade até os dias atuais, nos damos uma linha temporal para todo esse planeta fictício. A maior parte disto vem na forma da da vida de Orlando, uma personagem imortal que vem de Tebas do século XII antes de Cristo. Isso ajuda a construir esse incrível mundo, extremamente tridimensional, em que cada história fantástica e não fantástica que você já leu, provavelmente co-existem.

E isso não é uma idéia nova; desde a história de Jasão e os Argonautas, pessoas pensam “o que aconteceria se meus heróis de ficção favoritos se reunissem?” Certamente no século XIX isso foi proeminente, com Jules Verne escrevendo a sequência da Narrativa de A. Gordon Pym, de Edgar Alan Poe. Temos um enorme numero de crossovers; tudo o que fizemos com A Liga é levar ao seu extremo, onde tudo é potencialmente combinado com outra coisa nas páginas de A Liga. E é daí que a idéia veio e no que ela se tornou. Os primeiros dois volumes são provavelmente os que os entusiastas do steampunk irão responder mais, porque no Dossiê Negro, e no volume seguinte em que eu e Kevin estamos trabalhando, nós nos movemos da era Vitoriana. O Dossiê Negro, apesar de ter material que começa na aurora dos tempos e vem até os dias atuais, as seções narrativas são em sua maioria ambientadas em 1958, o que achamos ser um tempo tão peculiar e distante quanto a era Vitoriana quando nós pensamos sobre o assunto. O Volume 3, por outro lado, é composto de três partes: três capítulos de 72 páginas situados cada um em diferentes épocas. A primeira parte é situada em 1910, e tem vários eventos que revolvem ao redor da opera, temos Mack the Knife, e Pirate Jenny (da Opera de três vinténs, de Bertold Bretch) aparecendo, junto com alguns outros personagens pós-Vitorianos e Eduardianos. No terceiro capítulo tudo ocorre em 1958, e no terceiro nos dias atuais. Não quisemos fazer de tudo um fetiche da era Vitoriana. Podemos ter outra histórias ambientadas na era Vitoriana, e certamente teremos algumas ambientadas no passado, antes da era Vitoriana. Embora seja um período incrivelmente rico para se embrenhar, eu acho que depois de Do Inferno, A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, e Garotas Perdidas, que eu suponho ser mais Eduardiano, eu senti que corria o risco, por mais que eu ame esses períodos, de ser tachado como algum maluco pelas eras Vitoriana e Eduardiana. Na verdade eu sou igualmente interessado por quase todo período histórico, todos tem algo a oferecer.

Pensamentos sobre steampunk como estética e sobre seu potencial como cultura.

Bem, eu acho que steampunk, se não estou equivocado, é um tipo de manifestação ethos que tem se tornando mais predominante na cultura contemporânea. Me parece que a essa altura do século 21 nós estamos mais conscientes de nós mesmo – mais conscientes de nosso passado – do que a cultura jamais foi antes. Por causa da internet, por causa dos tremendos arquivos que reunimos, a cultura do passado nos está disponível. E conforme a olhamos, podemos ver que é um fabuloso deposito de idéias que poderiam ter sido lindas – e que poderiam ter ainda uma imensa quantidade de vida ainda dentro delas – e que foram descartadas pelo rígido avanço da cultura e nossa insistência em coisas novas todos os dias. Creio que nós estamos agora em uma posição onde podemos olhar para trás, para esses maravilhosos e gloriosos restos de nossas culturas prévias – nossos prévios estados da mente – e podemos usar elementos dessa arca do tesouro para criar coisas apropriadas ao nosso futuro.

Creio que em muitos aspectos é essa a definição de “decadência” como foi dada pelo escritor decadentista Théophile Gautier que disse que o escritor decadentista deveria se sentir livre de pegar emprestado o mais belo e suntuoso das lendas antigas, e, ao mesmo tempo deveria se apropriar do vocabulário das mais recentes peças de escrita, trazendo assim, o passado, o futuro e o presente para um tipo glorioso de ensopado. E na minha opinião, em seu melhor, é isso que o steampunk tenta fazer. Ele pega esses elementos abandonados; que provavelmente não tem nada de errado neles, e que eram perfeitamente funcionais, mas foram simplesmente deixados de lado; de nossa cultura do passado, e reunindo-os de uma forma nova, para assim criar idéias que ajudarão a nos levar ao futuro. O que quero dizer é que é isso que o steampunk está fazendo, de forma consciente ou não.

Acho que a arte, a tecnologia, a mídia, estão todas mudando a forma básica que vemos o tempo. Acho que até recentemente nós víamos o progresso dos tempos como um tipo de correia, onde eramos arrastados do passado para o futuro; não há nada que possamos fazer quanto a isso, e a paisagem de nosso passado – uma vez que a correia é deixada para trás – se vai para sempre. Mas isso não é verdade: todas as idéias do passado ainda estão inteiramente ao nosso alcance. E eu penso que algumas pessoas, como, talvez, os escritores steampunk, se tornaram cientes que é possível incorporar o passado como um meio de avançar para o futuro. Isso não é nostalgia. Isso nos enjoaria rapidamente. É essencial haver um aspecto mais progressivo, que olhe além do modo que utilizamos esses brilhantes fragmentos de uma cultura passada. Vendo da minha perspectiva, seja eu conscientemente steampunk ou não, eu creio que é provavelmente esse o ponto.

Por Karl [Tradução e adaptação]
Conteúdo originalmente publicado na edição numero 3 da Steampunk Magazine, disponível para download gratuito em:
http://www.steampunkmagazine.com/
e em breve disponível em sua versão em português, traduzida pela equipe do Conselho Steampunk.

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16
Mi

The Somnambulist

   Publicado por: Karl    em Artigos, Literatura, Romances Gráficos, Uncategorized

The Somnambulist

de Jonathan Barnes

Esteja alertado. Este livro não possui valor literário algum. É um pálido pedaço sem sentido, enrolado, implausível, povoado por personagens pouco convincentes, escrito em uma prosa medonha e pedestre, frequentemente ridícula e patéticamente bizarra. Não preciso dizer que, eu duvido que você venha a acreditar em uma palavra dele”
Este alerta é o início da novela de estréia de Jonathan Barnes. Tanto um tributo as raízes da tradição pulp, onde se pede a indulgência do leitor ao apresentar eventos fantásticos, quanto um gancho intrigante para ocorrências improváveis que possam vir a ser narradas. Em adição, a abertura de O Sonambulista estabelece que estamos lidando com um “narrador não-confiável”, de fato, o próprio narrador atesta que mentirá ao leitor mais de uma vez durante a história “ Em que, então, devem acreditar? Como irão distinguir a verdade da ficção?”

Naturalmente eu deixo para o seu discernimento”.
Rainha Victoria morreu “alguns meses atrás” quando a história se inicia, então nos situamos no ano de 1901, um momento pivô do novo século. Velhos modos estão desaparecendo, e novas tendências e movimentos estão acelerando. Por isso é fácil imaginar que um não-mais-tão-jovem mágico de palco vitoriano chamado Edward Moon se sinta como uma relíquia. Seus números [repletos de magia real, aliás] não mais atraem vastas multidões como já fizeram um dia, e até mesmo sua outra ocupação resolvendo crimes insolúveis perdeu seu brilho, sua reputação foi arruinada por um ultimo caso mal-sucedido. Todos os malfeitores que representam um desafio estão presos.

Não, esse novo século não é hospitaleiro a um indivíduo da natureza de Moon, nem de seu parceiro, o Sonambulista, um homem imenso e careca sem nenhum outro nome, completamente silencioso e invulnerável, que se comunica por palavras[mal] escritas em uma pequena lousa… e que se alimenta apenas de leite. Leal, misterioso, e lento de raciocínio ele é indispensável para Moon, tanto quanto seu vício em prostitutas com deformidades físicas.

Moon já viu tempos melhores; seu auge já passou, seus cabelos estão rareando e suas roupas estão fora de moda. Ele pertence a um tempo anterior, uma Londres mais velha onde existiam grandes casos e crimes para ocupar sua mente e o teatro estava cheia todas as noites quando ele apresentava suas ilusões com o Sonambulista. Esses tempos se foram. Um novo século começou e parece que Edward Moon irá desaparecer no passado.http://johnlarroquetteproject.com/wordpress/wp-content/uploads/2008/02/london-fog.jpg
Mas quando os cadáveres de ricos começam a surgir, e o detetive Merryweather pede a ajuda de Moon. O mágico sente um caso digno de suas habilidades, então, desesperado e entediado, Moon se agarra a chance de provar que ainda pode agir, e junto com o Sonambulista toma parte na investigação. Mas como qualquer outra novela de mistério The Somnambulist é um distorcido e sinuoso conto que te indica várias direções ao mesmo tempo. E enquanto a resposta no final é uma constante, a questão durante o livro muda. Os assassinatos são só a ponta de um iceberg, e Moon logo está tentando desmascarar uma conspiração para um ramo secreto do governo, uma conspiração que poderia destruir a cidade.
Os personagens são únicos e maravilhosos, http://willienorthway.com/photo/vert-2/00_03_08_LOND.jpgassim como doentes e depravados, surgindo da névoa Londrina como espectros: Uma dupla mortal, alegres mensageiros da morte e destruição, os Prefects, e a partir do momento em que eles atravessam um coração com um guarda-chuva e então o abrem você tem certeza que estes dois homens, um grande e um pequeno, sempre vestidos em uniforme escolar, são parte de um muito imaginativo e deturpado elenco. Elenco que inclui personagens como Mr. Cribb, que clama ser tão velho quanto a cidade e que viaja no tempo de sua vida de trás para frente; Ned Love, que conheceu o poeta Coleridge; Madame Innocenti, uma médium que pode realmente contactar os mortos; Mina a prostituta barbada; um ambulante que carrega um cartaz onde se lê: “Certamente Eu Logo Chegarei. Revelações 22:20” e um albino com um problema relacionado a arsênico.
Barnes emprega o artifício de um esperto, mas não-confiável, narrador que pode passar a narrativa por níveis frenéticos. Novos personagens são introduzidos quase a cada três páginas, assim como novas reviravoltas no enredo. A conspiração suprema tem certamente uma qualidade lunática digna de Chesterton.

Nos capítulos finais o narrador invisível é revelado e a história que até aquele ponto era um mistério policial de época com elementos fantásticos se torna uma fantasia completa, tendo se construído de uma maneira que quando a mudança ocorre faz completo sentido, e você não pode imaginar a história como tomando outra direção a não ser uma inundação surrealista.

Na fina linha entre o humor e a paródia, a obra de Barnes está sempre se equilibrando na beirada.

Uma história de alguém que ao resolver um mistério, quer resolver a si mesmo. Moon é um homem que é assombrado por casos mal sucedidos, e amizades mal-sucedidas do passado, preso a uma carreira decadente como mágico. Ele não precisa resolver o mistério porque é a coisa certa a se fazer, ele precisa desvendá-lo porque é o único gesto que pode reconectá-lo com a pessoa que ele pensa que deve ser. Moon é um personagem moderno preso em um mundo Vitoriano por assim dizer.

Por Karl
“A foggy day, in London town
It had me low, and it had me down”

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29
Abr

Bilac Vê Estrelas

   Publicado por: Karl    em Literatura

Bilac Vê Estrelas

Na Colombo (onde Patrocínio era Deus e Bilac, o Filho, sobrando uma vaga apertada para o Espírito Santo), exemplares da “Gazeta de Notícias” eram disputados de mão em mão com a página aberta na crônica. Que história era aquela de condor? E desde quando Patrocínio, que mal tinha onde cair morto, possuía um hangar? Ninguém queria acreditar no que estava lendo. Um dos dois, Patrocínio ou Bilac, ou ambos, tinha enlouquecido. Ou então - se fosse verdade - era a notícia do século.”

Rio de Janeiro, 1903. Rua do Ouvidor, centro da vida social, cultural e boêmia da época. Olavo Bilac está a postos na calçada da afamada Confeitaria Colombo. De súbito, uma manchete berrada interrompe suas ponderações… um homem negro é encontrado morto em Paquetá, e pode ser o Jornalista da Abolição, grande amigo de Olavo, José do Patrocínio. Isso desencadeará uma trama fabulosa envolvendo o Santa-Cruz, um dirigível inventado por Patrocínio, que estava sendo construído em um barracão no subúrbio de Todos os Santos.Durante uma passagem de Bilac por Paris, a existência do dirigível chega aos ouvidos de dois aeronautas, Deschamps e Valcroze, que então planejam roubar as plantas do dirigível, construir um protótipo e leiloá-lo para as potências estrangeiras, e para conseguir isso, contratam a linda e sensual espiã lusitana Eduarda Bandeira para que roube os projetos. Em meio a tudo isso, Olavo Bilac tentará frustrar os planos dos dois franceses, agindo como um herói-detetive; mas tudo de forma tão galhofeira quanto os crimes cometidos no decorrer do livro.

A única informação que confirmava era o motivo de sua vinda para o Rio: a chicotada no rosto de um nobre herdeiro português, de quem se separara havia meses. Inconformado com o rompimento, ele a atormentava para reatarem. Finalmente, convidara-a para uma cavalgada em Sintra e, em meio ao passeio, tentara arrastá-la para os vinhedos. Eduarda, porém, se desvencilhara e zebrara-lhe o rosto com o chicotinho de montaria. Com o lanho vermelho dividindo-lhe a face, o nobre luso, para castigá-la, dera-lhe duas opções: o degredo no Brasil, com todas as despesas pagas, ou a morte. Eduarda achou mais saudável a primeira opção. Por isso ali estava ela, na Colombo, tomando Napoleón e beliscando madeleines, depois de sua visita diária às modistas de luxo da rua do Ouvidor.”

Nome normalmente relacionado a biografias como a de Nelson Rodrigues, Carmem Miranda, e a controversa biografia de Garrincha, Ruy Castro tem sua estréia na ficção em um romance cheio de fatos históricos e extensa bagagem de conhecimentos curiosos sobre a Belle Époque do Brasil, tudo costurado habilmente para que fiquemos em dúvida sobre o que realmente ocorreu, e o que saiu da mente do autor.

Coisas como o duelo de espadas de Bilac com Pardal Mallet, ou o célebre acidente automobilístico causado pelo mesmo, quando guiando o carro novo de José do Patrocínio, chocou-se contra uma árvore, causando assim a primeira batida de automóvel “do Brasil provavelmente, do Rio com certeza”, com afirma Ruy Castro. O dirigível de José do Patrocínio também foi real, embora seja um fato pouco conhecido.

Parte da coleção “Literatura Ou Morte” lançada pela Companhia das Letras em 2000, onde escritores eram apresentados como protagonistas das histórias, “Bilac Vê Estrelas” revive o Rio de Janeiro do inicio do século XX com perfeição, embora com resultados cômicos, e quase cinematográficos; como a tórrida cena onde a espiã portuguesa tenta seduzir Bilac a força, entrando em seu quarto na calada na noite e o atacando na cama, quando deixa-o para morrer inconsciente em um hangar em chamas, a fuga dos criminosos em uma charrete em disparada, em meio ao intenso burburinho da Rua do Ouvidor, e sendo parados pela multidão que seguia Santos Dumont gritando “Viva o Brasil!”

Não pensei com essa intenção, mas depois percebi que ela pode ser filmada. Não há qualquer problema nisso, afinal foi o cinema que tirou sua capacidade narrativa da literatura e dela se apropriou” afirma Castro.
Em meio a arranca-rabos, eventos históricos, espionagem industrial e celebridades brasileiras de tempos idos que ainda hoje nos fascinam, “Bilac Vê Estrelas” apresenta humor para os mais diversos gostos, desde a mais sutil, até o pastelão, um livro delicioso de se ler, prova do talento de Ruy Castro também como ficionista.

Por aqueles dias mesmo, na ânsia de ver Bilac, uma senhora distraíra-se e caíra dentro de uma vala da prefeitura, bem diante da porta da Colombo. O buraco fora aberto, a obra ficara pronta e o prefeito ainda não se lembrara de tapá-lo. Os boêmios da Colombo já eram íntimos do buraco e, assim mesmo, houve um, o cronista Rocha Alazão, que, desbussolado pelos conhaques e cervejas, tropeçou no bigode e caiu emborcado dentro dele. Alguém afixou ali uma placa onde se lia CUIDADO COM O BURACO. Mas o poeta Bastos Tigre, grande pândego (e, ele também, detentor de um dos mais enfáticos bigodes da República), achou que não era suficiente: comprou um coqueiro de porte médio e plantou-o no buraco. Meses depois, o coqueiro já estava crescido e ameaçando dar os primeiros cocos e nada de o buraco ser tapado.”

Por Karl

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As Máquinas da Ilha de Nantes

As Máquinas da Ilha de Nantes (Les Machines de l’île) é um projeto artístico, turístico e cultural sediado em Nantes, na França. O projeto das Máquinas de I’île em Nantes tem como objetivo promover a imagem da cidade, mas tenta construir ao mesmo tempo uma criativa metrópole de sonho e fantasia.


Nos armazéns das antigas docas em Nantes, nas margens do Rio Loire, estão as Máquinas da Ilha idealizadas pelos artistas François Delarozière e Pierre Orefice, que junto com sua equipe usaram inúmeras partes móveis, hidráulica, madeira, aço, e muita imaginação, tudo habilidosamente combinando para dar vida a várias e obscuras criaturas aquáticas, um gigantesco elefante, pássaros e criaturas pré-históricas, visualizando um mundo de viagem temporal na encruzilhada das terras fantásticas da mente de Jules Verne e do universo mecânico das invenções de Leonardo da Vinci.

O local está aberto para visitação desde Julho de 2007, e os três maiores projetos incluem:
- o Grande Elefante (2007)
- o Carrossel do Mundo Marinho (Primavera de 2010)
- a Árvore das Garças (2014)


O Grande Elefante (Le Grand Éléphan
)

Um elefante mecânico de 12 metros de altura e 8 de largura, construído com 45 toneladas de madeira e aço. Pode levar até 49 passageiros para um paseio de 45 minutos. É uma réplica do Elefante do Sultão, que fez apresentações de 2005 até 2007.


O Carrossel do Mundo Marinho (Le Carrousel du Monde Marins)

O Carrossel do Mundo Marinho ainda está em construção, mas apresentará 27 criaturas marinhas, como uma arraia, uma lula, um caranguejo gigante, criaturas abissais, etc.

A Árvore das Garças (L’Arbre aux Herons)

A Árvore das Garças é uma estrutura de aço medindo 45 metros de diâmetro e 28 metros de altura, contendo duas garças no topo. Os projetos planejam uqe o visitante fique sobre as costas ou asas dos pássaros para um vôo circular sobre os jardins suspensos da árvore.


A Galeria de Máquinas

Um local de exibição para ilustrar a história das máquinas. Alguns visitantes podem ser convidados a controlar alguns dos animais marinhos, andar no carrossel Le Manége D’Andréa, ou no Centro Europeu de Teste de Vôo.

O local de fabricação da peças é aberto, onde as pessoas podem observar o processo de construção das máquinas. Atualmente a construção das peças do Mundos Marinhos ocupa uma parte da oficina.

O processo de construção também está todo disponível para consulta em forma de desenhos, modelos e vídeos, e em Julho de 2008 três novas máquinas foram acrescentadas à galeria.


Se quiser ver mais:

Por Karl

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22
Abr

La Femme

   Publicado por: Karl    em Artigos, Literatura, O Movimento

O Sexo frágil? Certo… acredito…

Embora uma considerável parte das damas do mundo vitoriano se contentassem em ser esposas, mães e aristocratas, tais limitações não existem em meio ao universo steampunk.

Exploradoras, engenheiras, mercenárias, cientistas [loucas ou só irritadiças], anarquistas, piratas, jornalistas, detetives, ladras, tudo isso é possível em uma ambientação contemporânea, assim como em uma Vitoriana, Neo-Vitoriana, ou qualquer outra alternativa. Mas se você acha que a independência feminina no gênero steampunk não tem nenhuma raiz plantada na época da rainha Victoria você se engana.

O papel da mulher na sociedade Vitoriana era bem diferente dos estereótipos que imaginamos hoje. Havia certamente uma pressão social aplicada para a mulher agir da forma que hoje vemos como “tipicamente Vitoriana”. Mas existiram muitas mulheres que não estavam confinadas a falsa moralidade das altas sociedades e que não apenas agiam independentemente, mas propagavam seus modos de vida que eram tão não-convencionais para a época. Muitas dessas mulheres, de exploradoras à repórteres internacionais, eram não apenas não-repudiadas pela alta sociedade Vitoriana, mas eram, de fato aceitas nas mais exclusivas cerimônias, festas e formalidades; eram idealizadas por muitas jovens, vistas com admiração por mães e filhas, e tinham seus modos e estilo copiados pelas ditas “respeitáveis” damas da alta sociedade.

Essa alta sociedade frequentemente, não apenas não condenava essas mulheres, mas celebrava seus modos audaciosos e não convencionais.

Isso foi refletido na literatura Vitoriana e em uma surpreendente quantidade de ficções de aventura e mistério na qual heroínas, amantes, ou adversárias das protagonistas das histórias eram significantemente mais independentes e menos subservientes do que leitores modernos imaginariam de uma heroína ficcional da Era Vitoriana.

O exemplo óbvio é Irene Adler, que memoravelmente tapeou nosso querido Sherlock Holmes em “O Escândalo na Bohemia”. Entretanto ela não foi a primeira heroína bem sucedida, “L____”, a primeira de pelo menos duas duzias de mulheres detetives profissionais na literatura Vitoriana, apareceu em 1837, quatro anos antes de Edgar Alan Poe apresentar Dupin ao mundo em “Os assassinatos na Rua Morgue”; a primeira novela britânica a apresentar uma detetive, Revelations of a Lady Detective de William S. Hayward, apareceu em 1861, vinte e seis anos antes da estréia de Sherlock Holmes.

A literatura vitoriana teve exploradoras e caçadoras de aventuras como Laura de Guéran apresentada por Adolphe Belot em 1879 na novela A Parisian Sultana. Anarquistas como a formidável Zalma de Pahlen, criação de T. Mullett Ellis no romance de 1895, Zalma. E até gênios do crime como a infernal Madame Sara, de The Sorceress of the Strand, de L. T. Meade em 1903.

E mesmo fora da literatura os exemplos são infindáveis passando de Anne Bonny e Mary Read, a Calamity Jane e Annie Oakley, passando por Ada Lovelace, Marie Curie, e Amelia Earhart.

Se você acha que como em tempos idos, as mulheres do meio steampunk estão todas sentadas fazendo seus bordados e esperando que o “mestre da casa” volte da cidade, é melhor você pensar novamente. Com suas espadas, pistolas e engenhos diferenciais em punho, as mulheres do mundo steampunk estão tão, ou mais prontas para o que vier em sua direção do que qualquer distinto cavalheiro, afinal… Catarina a Grande provou que dominação mundial não é apenas um sonho para os garotos.

Por Karl

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21
Abr

Félix Nadar

   Publicado por: rcandido    em Artigos

A Sociedade para o Encorajamento da Locomoção Aérea por Maquinas mais pesadas que o Ar”

Paris, 1863, um enorme balão de ar quente, com cerca de 6000 m3 Cruza os céus, chamado Le Géant (”O Gigante”) este balão foi construido por Félix Nadar, pseudonimo de Gaspard-Félix Tournachon.

“The Society for the Encouragement of Aerial Locomotion by Means of Heavier than Air Machines”

Este gigante do Ar inspirou Júlio Verne na sua obra ‘Cinq semaines en ballon‘ (Cinco Semanas em um Balão). Foi criada a “A Sociedade para o Encorajamento da Locomoção Aérea por Maquinas mais pesadas que o Ar“, com Nadar como presidente, e Júlio Verne como secretário.

Nadar nasceu em Paris, mas algumas fontes sugerem Lyon. Foi um caricaturista do jornal ilustrado Le Charivari. Em 1849 criou a Revue comique e o Petit journal pour rire.

Nadar foi conhecido devido às suas ações espetaculares. Mandou pintar o edifício em que o seu estúdio estava albergado de vermelho e colocou na fachada um painel de 15 metros com o seu nome! O edifício, no boulevard des Capucines, no centro dos Grands Boulevards, tornou-se uma local de referência e o estúdio um ponto de encontro dos intelectuais parisienses. Estudio este que em Abril de 1874, foi cedido a um grupo de pintores, entre os quais estavam Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Cézanne, Berthe Morisot e Edgar Degas.

Nadar era um inovador e em 1855 patenteou a ideia de utilizar a fotografia aérea na cartografia. Tipo de fotografia que só conseguiu realizar três anos depois, em 1858, quando conseguiu tirar a primeira fotografia aérea de sempre de um balão. Em 1863 publicará o Manifeste de l’autolocomotion aérienne.

Jean-Marie Le Bris e a sua máquina voadora “Albatros II”, fotografado por Nadar em 1868.

Daumier realizou uma litografia satírica que mostrou Nadar fotografando Paris de um balão, a qual deu o título “Nadar elevando a fotografia à altura da Arte”, divulgou a façanha e ajudou Nadar a tornar-se ainda mais famoso. Nadar continuou a ser um apaixonado pelo balonismo até ter sofrido um acidente, com a mulher e alguns amigos, a bordo do Géant, um balão gigante que tinha construído e que podia transportar 80 pessoas.

Em 1858 Nadar também começou a fotografar com luz - magnésio, em 1860 Nadar decidiu fotografar as profundezas parisienses ,fotografou as catacumbas e os esgotos de Paris.

Por Cândido Ruiz

Fontes:
Enciclopédia Britânica, Wikipedia e o Espaço Lente Aberta onde podem ouvir um podcast sobre a vida de Félix Nadar e conhecer mais sobre a historia da fotografia.

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6
Abr

Curiosidades - O menor motor a vapor do mundo

   Publicado por: Karl    em Artigos

O Menor Motor a Vapor do mundo

A máquina mede 6.8mm de altura, 16.24mm de comprimento e pesa 1.72gm. O diminuto motor tem um corpo cilíndrico de latão construído com rolamentos de eixo de manivela, pistão, biela e mecanismo valvulado.

Enquanto a menor peça é o alfinete conector de 0.7mm, a maior é a roda de 6.3mm de diâmetro. Seu diâmetro total é 16.24mm

Apesar de ser um hobby meus motores miniaturizados podem gerar eletricidade ou serem usados para bombear água”

afirma o construtor do motor Dr. Iqbal Ahmed de Nagpur, Índia.
Com vapor gerado por 10ml de água, esse motor pode funcionar por cerca de dois minutos. Há uma míni-caldeira de 45mm separada que é conectada por um cano de 38mm.


“Assistindo as rodas das locomotivas a vapor e dos trens de brinquedo com que meu avô me presenteara quando tinha sete anos, eu sempre sonhava em construir meus próprios um dia” declarou Iqbal.

Em 2007 Iqbal recebeu do Ministro da Ciência e Tecnologia Kapil Sibal uma placa e o prêmio do Desafio dos Pioneiros de Inovações da Índia.

Modelos em miniatura podem ser construídos, mas é praticamente impossível fazer esses modelos funcionarem realmente. O motor pelo qual ganhei a menção no Guiness não poderia ser feito com menos de 5mm.”

Com sessenta e três anos de idade, Iqbal Ahmed detém um título no livro dos recordes por ter construído o menor motor a vapor funcional do mundo.

Por Karl

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2
Abr

The Prestige - Livro

   Publicado por: Karl    em Literatura

The Prestige

[ALERTA: Este artigo contém SPOILERS MONUMENTAIS]

A história de dois mágicos de palco presos a uma rixa amarga e trágica que oscila entre os caminhos do horror, fantasia, e ficção científica.

Se você viu o filme, e acha que já conhece a história você está errado.

Publicado em 1995 The Prestige, escrito pelo autor britânico Christopher Priest em uma estrutura epistolar; se passando por uma coleção de diários que foram coletados pelos protagonistas e depois reunidos; o romance acompanha a trajetória de Alfred Borden e Rupert “Robbie” Angier em sua escalada do mundo do espetáculo até se tornarem ilusionistas mundialmente famosos. No início de suas carreiras eles se conhecem brevemente e uma amarga disputa se inicia. Cada um tem uma ilusão que o outro não consegue desvendar, e ambos empregam mais energia e karma do que podem tentando descobrir os segredos e arruinar as apresentações do outro.

A história é contada através dos bisnetos de Borden e Angier enquanto eles investigam, cada um por conta própria, como suas vidas foram afetadas pelos conflitos de seus ancestrais. Os eventos do passado são revelados em sua maioria através dos diários de cada um dos mágicos. O que inicia-se parecendo ser a busca de um homem moderno por alguma conexão sobrenatural em sua família, se torna a narrativa do diário de Borden, e mais tarde o de Angier.

O título do livro deriva do conceito de que as mágicas de um ilusionista consistem em três estágios: o primeiro, a proposta, onde o artista mostra algo comum e sugere ou que poderá acontecer; o segundo, a performance, onde a história é escrita, o filme produzido, e o leitor segue a história da mesma maneira em que a audiência crê que algo extraordinário está ocorrendo; e o terceiro e o efeito [prestige] que encerra o numero, o coelho que não existia antes de sair do chapéu, a mulher cortada ao meio tendo suas partes reunidas novamente, e no fim o aplauso assombrado da audiência

No decorrer do livro vemos ambos os pontos de vista, cenas são recontadas de acordo com a perspectiva de cada um dos rivais, ambos acreditando ser a parte virtuosa da disputa.

Borden, desenvolve um ato chamado O Homem Transportado, e uma versão melhorada chamada O Novo Homem Transportado, que o transporta de uma cabine lacrada em um canto do palco para outra em um piscar de olhos e sem aparentar que passe pelo espaço entre ambas. O ato parece desafiar as leis da física e deixa todos os espetáculos anteriores obsoletos.

Através dos diários aprendemos bem cedo no livro (diferente da versão cinematográfica que guarda a informação para o fim) que Alfred Borden; filho de um reparador de rodas de carruagem que subiu ao estrelato como ilusionista; na verdade são dois gêmeos idênticos, Albert e Frederick. Ambos vivendo a vida de Alfred, devotados a manter o segredo para assegurar o sucesso com seu truque. Angier; filho deserdado de nobres que recorre ao ilusionismo de palco para satisfazer seu espírito; suspeita que Borden usa um dublê, mas ignora a hipótese quando não consegue encontrar evidências para provar e quando investiga os registros de nascimento descobre que não há registro de um gêmeo.

Incapaz de descobrir o método usado por Borden, Angier desesperadamente tenta superá-lo, e com a ajuda do afamado cientista Nikola Tesla, desenvolve um número chamado Em Um Flash, que tem um resultado similar, mas usa um método totalmente diferente. Para o truque de Angier, Tesla desenvolveu um aparelho realmente capaz de transportar um ser de um local para outro, mas com um surpreendente efeito colateral…

Assim como o aparelho recria o ser transportado no local especificado, o mesmo também é deixado para trás em uma forma espectral. O que Angier se refere como sendo “the prestige materials”. Os tais prestígios não se decompões mesmo depois de um século, e um século após tais acontecimentos, a disputa continua a espantar os descendentes dos mágicos.

Senhoras e Senhores, foi tudo realizado com fumaça e espelhos; deixe-me revelar a razão real de ter reunido vocês aqui esta noite.”

O novo truque de Angier é igual ao de Borden, e em retaliação, Borden tenta descobrir como Em Um Flash é realizado. Durante uma performance ele invade os bastidores e desliga o aparelho que Tesla desenvolveu para Angier, embora ele não descubra o que ele faz durante o ato em si. Como resultado o teletransporte fica incompleto, e ambos, o novo Angier e o velho, o Angier “prestígio” continuam a viver, embora o velho sinta-se constantemente fraco, enquanto o novo parece perder suas substância física. O verdadeiro Angier forja a morte de seu alter-ego do truque e retorna as terras de sua família terminalmente doente.

A cópia de Angier, alienado do mundo por sua forma espectral e descobrindo o segredo de Borden, ataca um dos irmãos antes de um espetáculo. Entretanto, a saúde fraca de Borden e o senso moral de Angier intervêm, e Angier não prossegue com o assassinato. Fica implícito que Borden morre alguns dias depois, e que o Angier incorpóreo viaja para encontrar o Angier real, agora vivendo como Lord Colderdale. Eles obtém o diário de Borden e o publicam, após omitir o segredo do truque dos irmãos. Pouco depois o Angier corpóreo morre, e seu gêmeo espectral usa o aparelho para transportar a si mesmo para o corpo, esperando que isso ou o retorne a vida e a ser uma pessoa completa novamente, ou o mate instantaneamente.

O romance recebeu o James Tait Black Memorial Prize de melhor ficção, e o World Fantasy Award de melhor livro.

A adaptação para cinema do livro, lançada em Outubro de 2006 foi dirigida por Christopher Nolan. Estrelando Christian Bale e Hugh Jackman como Borden e Angier respectivamente, assim como Michael Caine, Scarlett Johansson e David Bowie. O livro foi adaptado por Christopher e Jonathan Nolan.

Embora o tema do filme seja fiel ao do livro, muitas mudanças foram feitas no enredo, mais notavelmente a remoção de todo Espiritualismo do livro, e substituindo o esquema da investigação dos descendentes dos dois mágicos para uma narrativa enquanto Borden aguarda sua execução. O efeito do aparelho de Tesla também foi modificado: no filme o corpo deixado para trás não morre, então tem de ser morto a cada apresentação, afogado em um tanque d’água abaixo do palco. Adicionalmente, a complexa estrutura de diários do romance foi trasportada para o filme como narrativas em flashbacks espelhando os três atos de um truque de mágica.
Pontos maiores foram completamente mudados: Julia não morre;Sarah não morre; Borden não é enforcado. (Não é nem ao menos condenado, julgado ou acusado de assassinar Angier); Borden e Angier não são ex-colegas; Borden não mata Angier, e Cutter é apenas uma personagem menor que tenta convencer Angier no início do romance de que Borden é na verdade duas pessoas. Outra grande mudança concerne a máquina de Tesla. No livro, a máquina é claramente mostrada como sendo um aparelho de teletransporte, não tendo nenhuma habilidade de duplicação. O item ou pessoa na máquina é teleportado para a nova locação e um resíduo do que é trasportado é deixado para trás. Mas enquanto esses “prestígios” deixados para trás se parecem com Angier, eles não são feitos de restos humanos: não são um “Angier morto” mas um tipo de sombra ou imagem reminiscente dele. A única coisa próxima a uma “duplicação” no romance, é quando Borden desliga a máquina no meio do teletransporte. A maior parte de Angier fica para trás, mas uma pequena massa (vista como uma imagem espectral) é transportada. Se tornando duas mentes distintas (com memorias similares) com dois corpos diferentes.
Perto do fim do romance descobrimos que Angier está de fato ainda vivo, em sua forma fantasmagórica, mesmo após um século dos eventos vitorianos da narrativa. A história também sugere que existe alguma ligação psíquica entre o corpo teleportado e a sombra deixada para trás, sugerindo que não apenas eles pensam e sentem, mas também fazendo uma alusão de que Angier deve ter deixado para trás uma parte de sua alma a cada teleporte, o que deixa a conclusão do romance ainda mais assombroso.

Personagens implacáveis, bem desenvolvidos e vivendo vidas cheias de intrigas. Priest consegue capturar o modo da escrita do século XIX nos diários sem alienar o leitor moderno. Atmosferas que evocam o uso da tecnologia e do misticismo, efeitos que, com sucesso, reúnem ambas as obsessões vitorianas, a ciência e o oculto.

Por Karl

(Presto! Chango! Abracadabra!)

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2º Ciclo e debates de literatura fantástica - Ficção científica

Dia 4 de abril às 17h, sábado, a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) estará na Livraria Cultura para mais um ciclo de debates de literatura fantástica, em que serão apresentadas novas idéias para o segmento e as novas produções literárias.

A edição de 2009 terá diversas atrações preparadas especialmente para os fãs da literatura fantástica e mês a mês, uma mesa-redonda explorando os subgêneros de Ficção Científica, Fantasia e Terror, com sorteios, lançamentos de livros, novidades e workshops.

O Ciclo tem seu início no sábado, 4 de abril, às 15h00, na unidade Bourbon Shopping Pompéia, confira abaixo a programação:

15h00 - Palestra - O que é Literatura Fantástica? com Janaina Azevedo

Nesta palestra a linguísta formada pela USP, Janaina Azevedo, irá apresentar temas como gênero, subgêneros e a construção da escrita na literatura fantástica.

17h00 - Mesa-Redonda de Ficção Científica

Neste ano a mesa-redonda terá a mediação da OPELF, representada por Horacio Corral e Janaina Azevedo.

Os participantes da mesa são:

Além do debate com os participantes da mesa e as perguntas do público, o evento terá atrações multimídias que visam divulgar a produção nacional e debater sobre o alcance da Ficção Científica no Brasil.

20h00 - Lançamento do livro “Taikodom: Crônicas” de Gérson Lodi-Ribeiro

Em parceria com a Hoplon e a Devir, a OPELF faz o lançamento de um dos melhores autores de Ficção Científica do Brasil, Gérson Lodi-Ribeiro. Seu mais novo livro faz parte do universo ficcional do jogo online de grande sucesso, Taikodom.

Local:

Livraria Cultura Bourbon Shopping Pompéia - Rua Turiassú, 2100 - São Paulo/SP

Contatos:

contato@opelf.org ou pelo telefone (11) 2212-7539

Mais informações, consulte o site da OPELF

O Pessoal do Conselho Steampunk vai estar sendo representado por alguns de seus membros e convida a todos os fãs do Steampunk, Literatura Fantástica e Ficção Cientifica em geral a estar presente também.

Por Cândido Ruiz

(Quem não gostaria de estar presente?)

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